Análises das interações medicamentosas de agentes hipertensivos em receituários médicos

Leandro de Oliveira Silva, Karoline de Sousa Pereira

Resumo


A hipertensão arterial (HA) é um problema de saúde comum e importante, que pode ter consequências devastadoras, frequentemente permanecendo assintomática até uma fase tardia de sua evolução. É considerada como hipertensão arterial, pressão diastólica persistente maior do que 90 mm Hg, ou pressão sistólica superior a 140 mm Hg. Um dos aspectos centrais no tratamento e controle bem sucedido da hipertensão arterial é adesão do paciente tanto ao tratamento medicamentoso, como o não medicamentoso.
Neste artigo, identificaram-se as interações medicamentosas entre antihipertensivos
e os demais medicamentos pela avaliação da prescrição médicas coletadas. Foram analisadas 200 prescrições médicas, as quais foram separadas em politerapia e monoterapia, e analisado o medicamento utilizado pelo paciente. Das prescrições avaliadas 24% apresentaram algum tipo de interações medicamentosas. A mais frequente interação envolveu os Betabloqueadores (Cloridrato de Propranolol) com os anti-inflamatórios não asteroides (AINE) que apresentou interações com todos os anti-hipertensivos analisados, diminuindo o efeito anti-hipertensivo na terapêutica. O menor índice detectado de interações medicamentosas foi com os antagonistas do receptor AT1 da angiotensina II (losartana). O fenômeno das interações medicamentosas constitui na atualidade um dos temas mais importantes da farmacologia, para a prática clínica dos profissionais da saúde, é muito importante conhecer as associações dos medicamentos, pois esse conhecimento é essencial para evitar que o paciente sofra irregularidade no seu tratamento farmacológico para a hipertensão arterial e evitar possíveis reações adversas ocorridas pelas interações medicamentosas.


Palavras-chave


Hipertensão Arterial. Monoterapia. Politerapia. Interações Medicamentosas.

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